As angiospermas não precisavam de um apocalipse de dinossauros para crescerem. Eles já estavam nisso.
Durante décadas, os paleobotânicos venderam uma narrativa conveniente. Volte ao Cretáceo Superior. Vê aquelas pequenas plantas daninhas? Sim. Esses foram os que floresceram. Sementes grandes, frutas, toda essa bagagem nutricional veio depois do asteroide atingir a Terra há 66 milhões de anos. Depois que os dinossauros caíram. O vazio estava vazio então as plantas se mudaram. História simples. Linha do tempo limpa.
Jaemin Lee acha que essa história está errada.
Lee, estudante de doutorado na UC Berkeley, escavou fósseis do Novo México. Especificamente a Formação Jose Creek. Camada de tufo de Dori. Cinzas. Cinza vulcânica espessa e sufocante.
O carimbo de data? 75 milhões de anos atrás.
Nove milhões de anos antes do grande impacto.
A floresta era densa. Quente. Úmido. E absolutamente repleto de árvores floridas. Parentes de Laurel. Palmas. As sequoias também viviam por ali, junto com as samambaias, mas as angiospermas não faziam mais parte do elenco coadjuvante.
“Nossos resultados mostram que, pelo menos em… ambientes do Cretáceo Superior… bem antes da fronteira de extinção… as angiospermas já estavam investindo recursos.”
Verifique os diásporos. As unidades de dispersão. Sementes. Fruta. Como quer que você os chame. Em outros locais do Cretáceo você encontra coisas do tamanho de sementes de papoula. Pequeno. Soprado pelo vento. Insignificante.
Em José Creek? Mirtilos grandes.
O volume aumentou mais de cem vezes. Não gradual. Mais tarde não. Aqui. Agora. Sete e dez e cinco.
Melancias selvagens naquela época? Talvez cinco centímetros de largura. Mas isso ainda é um começo. O melhoramento seletivo foi o que transformou isso na fruta que você compra hoje. A Evolution tirou o pé do freio cedo.
A evidência é preservada por causa do desastre. Ash cai rapidamente. Dias. Isso enterra tudo. Folhas no chão. Ramos no ar. Os restos das copas caíram instantaneamente no chão da floresta. Não há tempo para ficar à deriva nos rios ou apodrecer nos lagos. É um instantâneo.
A professora Cindy Looy chama isso de Pompéia botânica.
Normalmente os fósseis são um mashup. Detritos lavados rio abaixo. Eras mistas. Habitats mistos. Esse? Apenas isso. Um momento. Alta fidelidade. Você pode reconstruir a paisagem real. Quem ficou onde. O que cresceu sob o quê.
Expõe interações ecológicas que perdemos. Plantas que não existem mais interagem de maneiras que não podemos imaginar a partir do xisto fragmentado.
Chega de sobrevivência do mais apto que depende de um nicho vazio. Eles lotaram de qualquer maneira. Eles construíram a floresta enquanto os lagartos ainda caminhavam.
Acabamos de assumir a explicação fácil?
Talvez. Ou talvez o asteróide fosse apenas um epílogo. O enredo foi escrito antes de chegar.















